domingo, 26 de janeiro de 2014
Análise da representação da imagem e esquema corporal em crianças com problemas de aprendizagem
RESUMO
Este trabalho apresenta uma pesquisa que teve por objetivo verificar a representação da imagem e esquema corporal em crianças com problemas de aprendizagem, propondo, assim, uma reflexão sobre as relações entre o corpo e o aprender. Foi realizada uma análise da produção de desenhos de crianças entre 7 e 9 anos, atendidas no Núcleo de Apoio Psicopedagógico do CUML - Centro Universitário Moura Lacerda, a partir da solicitação para desenharem uma pessoa aprendendo, acompanhada de perguntas ao entrevistado sobre a sua produção. Para analisar os desenhos foram utilizados estudos da gênese da representação da figura humana, bem como análise da projeção do sujeito, no contexto de aprendizagem, das representações que ele possui deste processo e, principalmente, de si mesmo como aprendente. Os resultados indicaram que o desenho da figura humana no contexto da Situação da Pessoa Aprendendo forneceu dados que demonstraram uma relação do sujeito com o objeto de conhecimento e com seu próprio corpo no aprender. Para aprender, o sujeito precisa de um corpo que interage com o objeto de conhecimento por meio da ação e da relação com o outro. Se é através do outro que o sujeito se reconhece enquanto tal, que forma sua imagem corporal, é imprescindível que haja uma alternância de posições na relação ensinante-aprendente, permitindo que o sujeito se reconheça como aprendente, ensinante e autor em seu processo de aprendizagem, sendo capaz de desenvolver-se de uma relação em que necessita do outro para coordenar suas ações para uma posição em que seja capaz de assumir seu próprio pensar.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
O bibliotecário digital
O bibliotecário digital deve possuir
conhecimentos dos instrumentos e métodos de catalogação eletrónica (metadados);
dominar as tecnologias da informação; conhecer os aspetos relacionados com a
lógica e a estratégia de pesquisa; conhecer formatos e linguagem da web (html,
xml, sgml); possuir um pensamento lógico; ser criativo; entender as
peculiaridades do acesso a banco de dados, redes de biblioteca e demais fontes
eletrónicas; conhecer software de
aplicativos utilizados nas bibliotecas; conhecer as normas de Direito Autoral;
possuir conhecimentos dos protocolos de informação (por exemplo, Z39.50).
Contudo, deve continuar a ter conhecimentos
relacionados com a administração de arquivos, gestão de documentos, organização
de fundos documentais e tratamento técnico de acervos bibliográficos.
O
bibliotecário digital deve ser dinâmico e criativo, isto é, ser capaz de
resolver, rapidamente, problemas que possam surgir no momento, devendo possuir,
por isso, capacidade para aprender constantemente e depressa; deve ter
facilidade em partilhar conhecimentos, ou seja, adaptar-se ao trabalho em equipa
e ter um bom relacionamento interpessoal com os que o rodeiam; deve ser
flexível, adaptando-se a qualquer situação com que se depare e respeitar as
decisões/conclusões que sejam tomadas/encontradas.
O
bibliotecário digital deve ser capaz de fornecer a informação certa, no momento
certo, para o fim a que se destina, ou seja, deve possuir perspetivas de
serviço público.
O
bibliotecário digital deve possuir o entendimento dos conceitos básicos de
informática e das ciências da informação, a capacidade de aprender, avaliar e
utilizar as diversificadas ferramentas e aplicações informáticas que possam ser
úteis ao exercício das suas funções.
A
globalização e o desenvolvimento das novas tecnologias de informação e
comunicação têm provocado profundas transformações no mundo. A massificação do
uso da internet e o acesso às novas tecnologias transformaram profundamente
tanto a nossa vida social como a nossa vida profissional e até a forma como
aprendemos ou ensinamos. Estas transformações foram sentidas, igualmente, no
mundo das bibliotecas: não só a informação, considerada, atualmente, como
peça-chave essencial ao conhecimento humano, passou a desempenhar um papel
fundamental no dia-a-dia dos seres humanos, como o ênfase dos serviços deixou
de centrar-se na coleção/posse do livro como objeto físico, passando a focar-se
no utilizador e na informação. As bibliotecas, como organismos vivos que são, têm
vindo a desenvolver novos serviços, adaptando-se às novas realidades, a novos
suportes de informação e a novas formas de comunicação em rede.
Atualmente,
as bibliotecas tradicionais, as bibliotecas digitais e as bibliotecas hibridas
coexistem pacificamente, sendo que os serviços que prestam dependem, em grande
parte, do grau de adaptabilidade de cada uma delas ao mundo digital. No
entanto, esses serviços são sempre pensados tendo em conta os utilizadores,
fator que condiciona o tipo de serviços prestados e inclusivamente a forma como
estes são prestados. No caso das bibliotecas digitais há dois fatores a ter em
consideração quando falamos em serviços prestados: a universalidade dos
utilizadores e a acessibilidade aos documentos. Com o fim de barreiras físicas
ou temporais que condicionem a acessibilidade à biblioteca, os utilizadores
digitais podem ser de uma enorme variedade, difícil de prever, competindo aos
profissionais da informação antever e proporcionar serviços que tenham em
consideração a universalidade dos utilizadores, reais e potenciais, assim como
a sua diversidade linguística e cultural.
Mantendo
sempre o seu propósito principal de disponibilizar informação, bibliotecas por
todo o mundo investem cada vez mais em serviços de referência online, usando
todas a inovações tecnológicas e comunicacionais ao seu alcance, que lhes
permitam chegar aos seus utilizadores. Telefone, fax, e-mail, formulários web,
SMS, online chat, vídeo chat e, mais recentemente, as redes sociais são formas
comuns, adotadas pelos serviços de informação no contacto com os seus
utilizadores.
Não
menos importantes, no entanto, são os serviços prestados diretamente
relacionados com a acessibilidade aos documentos, ou seja, os serviços de
atendimento e ajuda ao utilizador, nomeadamente: os serviços de help desk,
linhas telefónicas de ajuda, instruções, guias e manuais de pesquisa, etc. Um
dos aspetos mais importantes para as bibliotecas será sempre a formação dos
utilizadores e o desenvolvimento da sua autonomia digital e informacional.
Referências:
Leitão, Paulo Jorge Oliveira (2010). Conteúdo gerado pelos utilizadores: desafios para as bibliotecas. Cadernos Bad, 1/2, pp 113-146.
Mendonça,
M. F. A. (s. d.). O moderno profissional da informação e seu perfil face aos
novos tempos. Acedido em 23 de abril de 2012 em http://www.biblioteca.sebrae.com.br/.
Rodrigues,
E. (s. d.). Os novos tempos de uma velha profissão: perfis e competências dos
bibliotecários na revolução digital. Acedido em 23 de abril de 2012 em
http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/421/1/APDIS98.pdf.
Witten, Ian H. ; Bainbridge, David ; Nichols, David M.
(2010). How to build a digital library. 2nd ed. Burlington: Elsevier.
Referências:
Caldeira,
Pedro Zany (2003). A usabilidade das bibliotecas digitais: a perspetiva dos
leitores/utilizadores. Cadernos Bad, 2, pp 18-32.
Comissão
de Ética para os Profissionais da Informação em Portugal (1999). Código de Ética para os Profissionais de
Informação [Em linha]. Lisboa : Comissão de Ética para os Profissionais da
Informação em Portugal. [Consult. 21 Fev. 2012]. Disponível em
WWW:<URL:www.apbad.pt/Downloads/codigo_etica.pdf>
Dutra,
T. N. A.; Carvalho, A. V. (2006). O profissional da informação e as habilidades
exigidas pelo mercado de trabalho emergente. Encontros Bibli: Revista
Electrónica de Biblioteconomia e Ciências da Informação, Florianópolis, nº22,
2º sem., 178-194. Acedido em 23 de abril de 2012 em
www.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=11886.
Leitão, Paulo Jorge Oliveira (2010). Conteúdo gerado pelos utilizadores: desafios para as bibliotecas. Cadernos Bad, 1/2, pp 113-146.
Literacia da informação
O
conceito literacia da informação é relativamente recente, estando o seu
aparecimento associado ao advento das Tecnologias da Informação e da
Comunicação e à necessidade de se encontrar uma designação para as competências
que, no contexto da Sociedade da Informação, são exigidas aos cidadãos.
O
conceito tradicional de literacia relaciona-se com a capacidade de entender,
compreender e redigir textos. O desenvolvimento das Tecnologias da Comunicação
e a consequente proliferação da informação conduziram a uma transformação do
conceito no sentido de este passar a abranger saberes e competências
fundamentais à interação com a tecnologia e à obtenção de informação através
dela. É aí que surge, como já foi referido, a expressão "literacia da
informação", associada à exigência de um novo conjunto de competências
para o acesso e utilização da informação, tornando-se um atributo decisivo na
sociedade contemporânea, indispensável à autonomia na aprendizagem ao longo da
vida.
As
definições de literacia de informação, avançadas quer por organizações quer por
estudiosos, têm sido várias, no entanto, a mais frequentemente citada é a da
American Library Association a qual refere que um indivíduo com competências de
informação "deve ser capaz de reconhecer quando a informação é necessária,
e ter capacidades para a localizar, avaliar e usar eficazmente (ALA, 1989,
citado por Calixto).
Segundo
a declaração de princípios da AmericanLibrary Association (Association of
College and Research Libraries, 2000, citado por Calixto) aquele que possui
literacia da informação deverá ser capaz de determinar a extensão da informação
de que necessita; aceder à informação de que necessita de modo eficaz e
eficiente; incorporar a informação selecionada na sua base de conhecimentos;
usar a informação eficazmente de modo a conseguir um objetivo específico;
compreender as questões económicas, legais e sociais que envolvem o uso da
informação e aceder e utilizar a informação de modo ético e legal.
A
UNESCO/IFLA (2005), através da Proclamação de Alexandria, refere que "a
literacia da informação habilita os indivíduos em todas as etapas da sua vida
para a procura, avaliação, uso e criação de informação de modo eficaz, na
prossecução dos seus objetivos pessoais, sociais, profissionais e educativos,
constituindo um direito humano básico num mundo digital e promovendo a inclusão
social de todas as nações". Portanto, a literacia da informação é de
extrema importância, pois não se liga, apenas, à leitura, à escrita e ao
cálculo mas também às competências tecnológicas relacionadas com os
computadores e a internet: a popularização de recursos como os blogues, as
wikis e os sistemas de partilha de conteúdos em linha, caraterísticos da web
2.0, suscitaram uma apetência pela colaboração e pela interação com o mundo
digital em que cada indivíduo pode não só ser consumidor mas também produtor de
informação, mesmo não possuindo conhecimentos técnicos avançados.
Maria
Inês Peixoto Braga afirma que "literacia e Educação andam de mãos dadas, e
a tal não será alheio o facto de serem reconhecidas como um Direito Humano,
tendo-se registado um progressivo reconhecimento universal da importância da
literacia, cada vez mais perspetivada como inegável fator do progresso
individual do ser humano e das nações". Portanto, as escolas e as
universidades devem contribuir para a formação dos alunos de modo a que estes
consigam pesquisar, recuperar, avaliar e utilizar devidamente a informação de
que necessitam. Esse papel deve ser desempenhado pelas bibliotecas, cujos
profissionais, devido às competências adquiridas e aplicadas na organização,
recuperação e avaliação da informação, devem estar aptos a participar nesta
vertente da preparação dos alunos para o futuro: ter consciência das suas
necessidades de informação; saber realizar pesquisas eficientes; interpretar
dados e avaliar o valor das suas fontes. Estas competências são importantes
para todos, pois fazemos parte duma economia global que exige formação ao longo
da vida e o desempenho de uma cidadania plena. Por isso, compete às
escolas/universidades preparar os alunos para um futuro numa era extremamente
dinâmica, na qual é previsível que terão de se adaptar a novas situações e de
se orientar num mundo digital complexo.
Foram,
no fundo, estes pressupostos que acabaram por conduzir à criação de vários
modelos de literacia da informação: o modelo de Marland, 1981; o modelo PLUS,
apresentado por Herring, em 1996; o Big 6, de Eisenberg & Berkowitz, em
2001, e o modelo de Christine Bruce, referido como "as sete faces da
literacia da informação".
Um
estudo realizado no Reino Unido sobre a relevância das bibliotecas escolares
sugere que "a biblioteca escolar, particularmente no ensino secundário, é
a base natural para o ensino das competências de informação" (Grã
Bretanha, Department of National Heritage, 1995: 53, citado por Calixto). Por isso, os profissionais das bibliotecas
devem manter-se a par da evolução tecnológica e procurar tirar partido dos
meios disponíveis, de modo a contribuírem para a concretização das metas das
instituições onde se inserem, promovendo a literacia da informação. O próprio
Manifesto da UNESCO sobre bibliotecas escolares reforça esta ideia ao apontar
que um dos objetivos das bibliotecas escolares é "apoiar os estudantes na
aprendizagem e prática de capacidades de avaliação e utilização da informação,
independentemente da natureza, suporte ou meio, usando de sensibilidade
relativamente aos modos de comunicação de cada comunidade".
Portugal
apresenta índices muito baixos de literacia que tem de ultrapassar quer através
de esforços para a implementação de ações de modernização e melhoria das
qualificações escolar e profissional de jovens e adultos quer através da modernização
tecnológica do ensino. É indispensável o papel dos diferentes agentes na
implementação de ações e medidas, mas o que é verdadeiramente essencial é o
estabelecimento de uma política educativa que trabalhe a articulação entre os
diferentes agentes/atores e evidencie um
verdadeiro interesse e compromisso para com o problema da literacia da
informação em Portugal.
Concluindo,
se os professores não estiverem sensibilizados e compreendam a necessidade da
literacia da informação, continua-se na mesma, uma vez que os professores
bibliotecários não se podem impor ou obrigar os docentes a aceitarem a sua
ajuda. Os professores, em geral, é que devem tomar consciência que não dominam
tudo e que existem profissionais que os podem ajudar a ultrapassar algumas dificuldades
e facilitar-lhes todo o processo, continuando a ser excelentes profissionais.
Bibliografia:
Alexandria
Manifesto on Libraries, the Information Society in Action (2005). Página
consultada em 3 de jan. 2012, < http://rcbp.dglb.pt/pt/ServProf/Documentacao/Paginas/Manifestos.aspx>.
Alvim, Luísa (2011), "As bibliotecas
escolares portuguesas no Facebook e o seu papel na promoção da literacia da
informação". In Congresso Nacional "Literacia, Media e
Cidadania", 25-26 Março 2011, Braga, Universidade do Minho: Centro de
Estudos de Comunicação e Sociedade. ISBN 978-989-97244-1-9. Página consultada
em 3 de jan. 2012,
<http://www.lasics.uminho.pt/OJS/index.php/lmc/article/viewFile/469/440>.
American Library Association and the Association for
Educational Communications and Technology (1998), " Information literacy
standards for student learning". Página consultada em 11 de
dez. 2011, < http://www.moodle.univ-ab.pt/moodle/file.php/36211/Textos_complementares_de_estudo_tema_3/Texto_de_estudo_para_o_Tema_3_Information_Literacy_Standards_obrigatorio.pdf>.
Bastos, Victor Manuel (2010), "Literacia
de Informação. Paradigma de Desenvolvimento de Competências de Informação na
Formação Docente em Angola". (Tese de mestrado). Página consultada em 4 de
jan. 2012,
<http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/4246/1/ulfl085104_tm.pdf>.
Belluzzo, R. C. B. (S. d.), "Gestão da informação, do conhecimento e
da documentação na educação". Página consultada em 11 de dez. 2011,
<http://www.moodle.univ-ab.pt/moodle/file.php/36211/Textos_complementares_de_estudo_tema_3/Texto_de_estudo_para_o_Tema_3_Gestao_da_Informacao_do_conhecimento_e_da_documentacao_na_educacao_opcional.pdf>.
Braga, Maria Inês Peixoto, "Formação
para a literacia da informação: uma interactividade necessária com os
Media". Página consultada a 27 de dez. 2011,
<http://www.cetacmedia.org/files/014_CICOM_Ines_Braga.pdf>.
Calixto, J. A. (S. d.), "Literacia da
informação: um desafio para as bibliotecas". Página consultada a 11 de
dez. 2011,
<http://www.moodle.univ-ab.pt/moodle/mod/resource/view.php?inpopup=true&id=1591161>.
Capurro, R. e Hjorland, B (2007), "O
conceito de informação". In Perspectivas em Ciência da Informação, v.12,
n.1, p. 148-207, jan./abr. 2007. Página consultada em 11 de dez. 2011,
<http://www.moodle.univ-ab.pt/moodle/file.php/36211/Documentos/tema_3/Texto_de_estudo_para_o_Tema_3-_Conceito_de_Informacao_obrigatorio.pdf>.
Dudziak, E. A. (2003), "Information
literacy: princípios, filosofia e prática". In Ci. Inf., Brasília, v. 32,
n.1, p. 23-35, jan./abr.2003. Página consultada em 11 de dez. 2011,
<http://www.moodle.univ-ab.pt/moodle/mod/resource/view.php?inpopup=true&id=1591241>.
Internacional Association of School
Librarianship (1999), O manifesto da IFLA - UNESCO das bibliotecas escolares.
Declaração politica da IASL sobre bibliotecas escolares. Pág. consultada em 3
de jan. 2012,
<http://migueloliveira.web.simplesnet.pt/manifestounescobibescolares.htm>.
Manifesto da Biblioteca Escolar. Federação
Internacional das Associações de Bibliotecários e de Bibliotecas. Página
consultada em 2 de jan. 2012,
<http://www.bm-ferreiradecastro.com/documentos/Manifesto%20para%20a%20Biblioteca%20Escolar.pdf>.
Melaré, D. (S. d.), "Competência virtual
em ciência da informação". Página consultada em 11 de dez. 2011,
<http://www.moodle.univ-ab.pt/moodle/file.php/36211/Documentos/tema_3/Power_point_de_estudo_para_o_Tema_3_Virtual_Literacy.pdf>.
Prole, António (2005), “O Papel das
Bibliotecas Públicas Face ao Conceito de Literacia”, in Educação e Leitura,
Atas do Seminário, pág. 31 a 41, Esposende, 27/28 de Outubro 2005. Página
consultada em 3 jan. 2012,
<http://195.23.38.178/casadaleitura/portalbeta/bo/documentos/ot_bibliotecas_literacia_a.pdf>.
Silva, A. M. B. M. e Marcial, V. F. (2010),
"Novos resultados e elementos para a análise e debate sobre a literacia da
informação em Portugal". In
Inf. Inf., Londrina, v. 15, n. 1, p. 104-128, jan./jun. 2010. Página
consultada em 3 jan. 2012, <http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/viewFile/2907/5881>.
Tomé, Maria Conceição D. A. F. (2008),
"A Biblioteca Escolar e o Desafio da Literacia da Informação: Um estudo
empírico no Distrito de Viseu". (Tese de mestrado). Página consultada em 2
jan. 2012,
<http://repositorioaberto.univ-ab.pt/bitstream/10400.2/1222/1/Tese.pdf>.
Vídeos disponibilizados pela professora
Daniela Melaré
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
O que é a Web 3.0?
A web 3.0 é a visão de uma era em que
os motores de busca não se limitam a recolher e apresentar os dados que andam
dispersos pela Internet, mas antes são capazes de "mastigar" essa
informação e produzir respostas concretas.
Numa
altura em que a Web 2.0 já se estabeleceu na vida dos internautas, que
diariamente frequentam redes sociais como o Facebook e o Twitter, está na hora
de abrir as portas à Web 3.0, o passo seguinte da evolução tecnológica num
mundo em que as máquinas se aproximam cada vez mais do universo da inteligência
artificial.
No
começo era a Internet de primeira geração, dos motores de busca simplistas e
dos emails, conceitos já de si revolucionários para quem toda a vida esteve
dependente de bibliotecas, correios e telefones. Depois tudo mudou. A World
Wide Web popularizou-se mundialmente e evoluiu num nanossegundo da História,
comparativamente com o tempo de penetração da maioria dos outros inventos
humanos até à data. Transformou-se na Web 2.0, a da computação social, dos
“chats” em tempo real e das redes de amizade, do cruzamento de informações, da
comunicação e da colaboração, das contribuições para a Wikipédia e dos mundos
virtuais. Nos últimos cinco anos tem sido este o paradigma da web.
Na
terceira fase que se adivinha para a Net – a da Web 3.0, também chamada de Web
semântica, embora este sinónimo entre as duas ideias, forjado pelo “pai” da
Web, Tim Berners-Lee, não esteja livre de polémica – pretende-se que a Rede
organize e faça um uso ainda mais inteligente do conhecimento já
disponibilizado online.
A Web
3.0 serve-se de software que vai aprendendo com o conteúdo que apanha na
Internet, que analisa a popularidade desse conteúdo e chega a conclusões. Em
vez de ter as pessoas a refinar os termos da pesquisa, a Web 3.0 será capaz de
o fazer sozinha, aproximando-se do mundo da inteligência artificial.
Fazendo
uma analogia simples: a diferença entre a Web 2.0 e a Web 3.0 é a diferença
entre ter alguém que se limite a elencar todos os restaurantes aos quais
poderei ir jantar hoje - desconhecendo que alguns desses restaurantes estarão
fechados ou onde poderão servir comida que a mim, em particular, não me agrada
-, e ter alguém a dizer-me exatamente onde é que eu posso ir comer, sabendo à
partida qual é a minha localização geográfica, qual a hora que me é mais
conveniente e quais as minhas preferências gastronómicas.
Em
resumo: a diferença entre a Web 2.0 e a Web 3.0 é a diferença entre obter uma
lista de respostas e uma solução concreta e personalizada para uma pergunta. É
a diferença entre a sintaxe e a semântica.
“A Web
semântica é uma extensão da atual Internet na qual é dado significado à
informação, permitindo que computadores e pessoas trabalhem melhor em
cooperação”. Foi assim que o próprio inventor da Web, Tim Berners-Lee, e Eric
Miller a definiram, em Outubro de 2002.
Numa
outra analogia, incluída num artigo de opinião da revista norte-americana
Adweek, o modelo dos aparelhos existentes no mercado para gravar conteúdos
televisivos (disponibilizados em Portugal pela Meo e pela Zon, e que, nos EUA,
têm um homónimo mais abrangente, o TiVo) ajuda a explicar a maneira como
funciona a Web 3.0. Se alguém tiver um interesse particular pelo actor George
Clooney, o TiVo pode ser programado para gravar tudo o que passar na televisão
sobre ele. Não apenas filmes: séries, publicidade, biografias, entrevistas e toda
a espécie de conteúdos relacionados com o actor.
É
isto que faz a Web 3.0: estreita a pesquisa e tenta dar ao o utilizador o que
este realmente quer. E aqui poderá bater a polémica desta ferramenta, que ajuda
a anular a casualidade. Perde-se o efeito-surpresa.
Motores de busca são o corolário da
Web 3.0
A Web
3.0 é a visão de uma era em que os motores de busca não se limitam a recolher e
apresentar os dados que andam dispersos pela Internet, mas antes são capazes de
“mastigar” essa informação e produzir respostas concretas.
O
motor de busca Wolfram Alpha – criado pelo cientista britânico Stephen Wolfram
– pode ser um dos primeiros marcos desta nova Web 3.0. Aquilo que o site faz é
dar uma resposta, em vez de remeter para potenciais respostas. Depois de feita
uma pergunta ao Wolfram Alpha, o sistema processa as respostas recolhendo dados
de várias páginas e bases que contenham unicamente informação relevante para
essa pergunta em concreto. Este projeto, que há muito vinha a gerar algum
“hype” na blogosfera especializada, foi oficialmente apresentado a 30 de Abril
na Universidade de Harvard (EUA) e está em funcionamento desde o dia 18 de
Maio.
A
Microsoft também já anunciou o seu novo motor de busca, o Bing, com o qual
espera fazer concorrência à hegemonia do Google. A ideia que a Microsft tem
sublinhado nas apresentações do Bing é que não se trata apenas de um motor de
pesquisa, mas, antes, de um “motor de decisão” (decision engine é o termo usado
pela multinacional americana).
Simultaneamente,
a Google já lançou, embora ainda em fase experimental, o Google Squared, com o
mesmo objetivo de responder a perguntas concretas dos internautas, filtrando e
interpretando os resultados. O Squared extrai informação da Web e apresenta os
dados de forma estruturada, em tabelas.
Para
que esta Web semântica venha a produzir resultados é preciso que se massifique
o uso de software e linguagens informáticas específicas, a fim de que seja
produzido mais conteúdo que as máquinas possam usar e que lhes permitam chegar
a conclusões e não apenas a resultados com base em palavras-chave. O caminho já
está aberto.
Texto escrito por Susana Almeida Ribeiro 29/06/2009
Fonte: http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/o-que-e-a-web-30-1389325?fb_action_ids=10201559371564582&fb_action_types=og.recommends&fb_source=other_multiline&action_object_map=%5B483243808394899%5D&action_type_map=%5B%22og.recommends%22%5D&action_ref_map=%5B%5D
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